IA e a evolução: por que a adaptabilidade é o novo ROI das empresas
Na natureza, segundo Charles Darwin "não é o mais forte quem sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças". O mesmo se aplica para as empresas?
Ao meu ver, sim. Temos bons exemplos, como a da Kodak, no qual o inventor, Steve Sasson, criou a primeira câmera digital, recusada pela diretoria por entender que iria abalar o principal mercado da empresa. Foi exatamente o que aconteceu, mas liderado por concorrentes. Poderíamos citar também Blockbuster x Netflix, que não apenas reinventou o mercado de distribuição de vídeos, como posteriormente transformou o próprio mercado de entretenimento.
É claro que empresas mais fortes – em termos de receita, caixa, propriedade intelectual, canais de distribuição ou equipe – têm grande vantagem no curto e médio prazo, podendo se utilizar disso para se manter e crescer. No entanto, mudanças do ambiente tendem a favorecer as empresas capazes de adequar a forma como produzem, comercializam e se relacionam com seus clientes. Quanto maior a mudança, maiores são as oportunidades e os riscos associados.
Vamos analisar as principais diferenças entre esses tipos de empresas. Companhias adaptativas têm como foco a flexibilidade e agilidade, através da evolução contínua, com uma cultura de experimentação, aprendizado rápido e interativo. O fluxo de informações rápido e transparente favorece a comunicação e alinhamento, enquanto a autonomia e direcionamento claros privilegiam a rápida tomada de decisão.
Com isso, conseguem experimentar mais e mais rapidamente, testando estratégias, aprendendo e evoluindo. Raramente será uma única grande decisão ou descoberta que fará a diferença, mas sim a inovação através do aprendizado contínuo e as sucessivas correções de curso que gerarão os melhores resultados.
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É esperado que a disrupção provocada pela IA em curso favoreça empresas com alta capacidade de adaptação. No entanto, podemos ainda enxergar um aumento da diferença entre empresas tradicionais e empresas adaptativas, impulsionado pelos efeitos da IA ao potencializar a capacidade de adaptação.
O Impacto da IA nos pilares das operações adaptativas
Para entender melhor este efeito, vamos analisar o impacto da IA em três pilares fundamentais:
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Alocação Dinâmica de Recursos: permite resposta rápida a mudanças de demanda ou perfil, focando os profissionais no atendimento dos clientes através de processos customer centric, ao invés de estruturas organizacionais rígidas. Isso requer flexibilidade no ajuste dos processos e treinamentos constantes e versáteis dos profissionais. A IA promove a evolução das ferramentas permitindo ajustes nos fluxos e regras de forma rápida, além de suportar o conceito de human augmented, trazendo contexto e informações relevantes para bons profissionais, reduzindo a curva de aprendizado.
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Closed-loop feedback: A manufatura inovou nos sistemas de qualidade, buscando trazer verificações ao longo do processo, e não apenas nas peças prontas, evoluindo posteriormente com o foco em garantir que o processo seja verificado para gerar qualidade ao final. Este modelo de feedbacks ao longo do processo busca sempre validar os resultados mais cedo e associar o comportamento dos processos com os resultados finais. A IA aumenta nossa capacidade de coletar os dados, estruturados e não estruturados, mesmo em grandes volumes, analisar e buscar os padrões, além de permitir o consumo das conclusões de forma mais rápida e contextualizada. Expande a coleta de dados para o nível de sensoriamento de alta frequência, detectando até pequenas mudanças ou problemas que são utilizados para reajustar processos e comportamentos.
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Supply Chain Elástica: Enquanto empresas tradicionais tendem a querer minimizar o estoque em busca de eficiência, empresas adaptativas procuram garantir o suporte às eventualidades e mudanças através de estoques estratégicos e a capacidade de integrar diversos fornecedores. A aplicação de IA favorece a análise dos pontos que otimizam os estoques e confere flexibilidade aos processos para lidar com diferentes fornecedores, de produtos ou serviços, permitindo a sua integração.
Gerando resultados com IA
Uma forma de avaliar a capacidade de adaptação de uma organização é realizar alguns testes: o que acontece se a demanda de um produto ou serviço triplicar? Ou se um dos principais insumos ou fornecedores se tornar indisponível?
É claro, que a maioria das organizações terá características tanto tradicionais quanto adaptativas. O mundo tende a ser naturalmente híbrido. Mas em um cenário onde se espera ganhos de produtividade superiores a 10x, aprender a utilizar IA pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso. Conforme comentei no último artigo, a fase do "vamos testar IA" chegou ao fim. É hora de começar a utilizar de fato e, principalmente, adequar processos, dados e estruturas para gerar resultados.
Os usos exploratórios continuarão sendo úteis para identificar novas frentes e possibilidades de uso. Mas é através da institucionalização dos processos com os casos de uso já comprovados que permite atingir escala e os ganhos de produtividade e qualidade esperados.
Neste contexto, a vantagem competitiva das organizações que dominam a arte da adaptação tende a se tornar ainda maior.
Sua organização está preparada para se adaptar a esta disrupção?

Laerte Sabino
CEO na Icaro Tech
Matéria Publicada:
Portal TI Inside
27.02.2026








