Bolha de IA ou hiperconcentração: como criar valor neste contexto?

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Bolha de IA ou hiperconcentração: como criar valor neste contexto?

Há muita discussão sobre se estamos enfrentando uma nova bolha econômica: a bolha de IA. Lembrando que, uma bolha econômica ocorre quando o valor de determinados ativos atinge valores absurdos, descolados do seu valor real ou intrínseco. A bolha estoura quando a confiança acaba e, não havendo sustentação para os preços destes ativos, os mesmos despencam.

Foi o que aconteceu com a bolha da internet em 2000, caracterizada por um investimento quase frenético em empresas que demonstraram potencial de crescimento, mesmo que não tivessem uma tese clara para gerar receita ou lucro. A bolha foi alavancada por capital de risco e pelo mercado de ações, supervalorizando as empresas pontocom, até que o custo do dinheiro subiu com o aumento das taxas de juros nos EUA. O artigo "Burning Up" indicou que aproximadamente 25% das empresas analisadas ficariam sem caixa em até 12 meses, e os investidores institucionais, percebendo o saturamento do mercado, começaram a se retirar.

De forma similar ao cenário da bolha da internet, existe atualmente uma preocupação em não ficar de fora, pelo amplo entendimento do impacto disruptivo de IA. Não apenas por parte dos investidores, mas também das empresas. Ninguém quer ficar de fora. No entanto, os aprendizados com bolhas anteriores influenciam a forma como os investimentos estão sendo feitos hoje.

A primeira diferença é o foco na análise de ROI. Ou seja, mesmo com a pressão para investir, exige-se uma análise de retorno, o que é extremamente útil pois força a análise crítica do problema a ser resolvido com a aplicação de IA e de quais benefícios ela precisa trazer para os negócios.

Um segundo fator é o desejo de reduzir riscos, direcionando investimentos em iniciativas ou empresas que já demonstraram capacidade de dar retorno. Soma-se a isso os elevados aportes associados à infraestrutura e a P&D em IA. O efeito percebido é a concentração dos recursos de forma muito elevada. Alguns indicadores:

  • Capex de IA na ordem de US$600 bilhões em 2026;

  • 0,8% do PIB Global será investido em IA em 2026, muito próximo do limiar de 1%, o que historicamente implica em severo ajuste do mercado, a menos que o impacto de produtividade se torne real;

  • Disponibilidade "quase ilimitada" de capital privado, com rodadas de investimentos de dezenas e até centenas de bilhões de dólares;

  • Previsão de menos IPOs, mas em valores muito mais elevados, chegando à ordem de 1 trilhão de dólares, exemplificado por empresas como OpenAI e a fusão entre xAI e SpaceX.

Isso mostra que, há sim um enorme volume de investimentos, mas com uma característica de hiperconcentração.

Para confirmar se estamos enfrentando uma bolha de IA, será necessário ver se estes investimentos vão gerar o valor previsto. Hoje é muito difícil de prever, até porque novas descobertas estão surgindo a cada momento, e podem mudar totalmente o jogo.

No lado de infraestrutura, o volume de investimentos em energia, Data Centers e capacidade computacional é alinhado com a demanda? Diante dos parâmetros atuais de ganho de produtividade real, essa infraestrutura parece superdimensionada, risco acentuado se surgir nova tecnologia mais barata. Por outro lado, o volume de investimento em novos motores, modelos e aplicações segue crescendo e, no final, o valor real vai depender dos ganhos de produtividade atingidos.

Resiliência de IA

Com tudo isto, é muito difícil prever se haverá "um estouro" que caracterize a bolha. Mas é bastante provável que haverá oscilações importantes. Novos players estão surgindo e, com a velocidade de inovação, podemos esperar novos fatores disruptivos.

O mais importante, portanto, é criar uma estratégia resiliente. Isso começa por uma arquitetura sem vendor lock-in, que não apenas permite, mas que facilite e incentive a integração e exploração de diferentes tecnologias e motores de IA (LLMs). Essa arquitetura deve reduzir dependências e promover o desacoplamento entre os módulos, facilitando substituições frente às disrupções de mercado. Utilizando a filosofia da Amazon, devemos trabalhar para que a maioria das decisões sejam do tipo "two-way door", permitindo velocidade na tomada de decisão e reduzindo custos com mudanças de curso.

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Sabemos que os ganhos de produtividade vão permitir a redução de headcount, mas esse não pode ser o único foco. É preciso desenvolver uma equipe que saiba cada vez trabalhar melhor com IA, demandando e fazendo a curadoria, e aproveitar os resultados da IA para realizar o trabalho de forma cada vez mais personalizada. O fator humano ainda é crítico.

E se a maioria das empresas vai se alavancar através dos mesmos motores de IA, o que vai gerar resultados diferentes são os dados e a identidade organizacional. Não estamos mais falando apenas de utilizar os dados (histórico de vendas, atendimentos, etc), mas também em como incorporamos nossos processos e nossos valores como entradas para garantir que as decisões e automações respeitem a cultura da empresa.

Foco e especialização, o melhor caminho para a inovação

A resiliência é, sem dúvida, um fator fundamental para se enfrentar as oscilações do mercado. Mas sozinha não irá gerar diferenciação. É preciso continuar inovando.

Mas como inovar concorrendo com estes gigantes? A resposta é simples: isto é virtualmente impossível. Não basta evitar o confronto direto com o que eles fazem hoje, pois seus perímetros estão evoluindo rapidamente. Não é à toa que há hoje tanto capital de VCs represado, estimados em aproximadamente 2 trilhões de dólares, gerando seca de investimentos em setores tradicionais da economia.

A abordagem é focar na aplicação de IA para eficiência operacional. Já podemos perceber uma nova mudança nesta abordagem, com a perda de valor dos AI Wrappers para uma IA verticalizada, com tecnologia própria e focada na resolução de problemas específicos. Trata-se de utilizar a expertise de indústria, domínio e tecnologia para identificar problemas específicos e investir nas soluções que gerem de fato ganhos de produtividade e qualidade.

Inovação e valuation

Neste momento, a adoção e visão de processos, aliada à organização da equipe para utilizar da melhor forma as tecnologias de IA, agrega um enorme valor para as empresas.

Mas o valuation de longo prazo vai passar também pela criação de propriedade intelectual especializada e focada em cada indústria e contexto. E, claro, no ganho real de eficiência operacional.

Laerte Sabino
CEO na Icaro Tech

Matéria Publicada:
Portal TI Inside
28.03.2026

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