Rigor, resultado e confiança: o novo tripé da transformação digital

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O novo tripé digital: rigor, resultado e confiança

A transformação digital ganhou tração a partir de 2020, com a pandemia. As empresas precisaram atender seus clientes de forma virtual, portanto, fomentando novos modelos de negócios rapidamente e grandes investimentos em TI. A partir de 2023, depois desse ciclo intenso de aportes, as empresas passaram a avaliar mais cuidadosamente os resultados atingidos. Houve avanços significativos, sem dúvida, mas também desperdícios relevantes, com diversas iniciativas entregando menos retorno do que o esperado.

Analisando os resultados do período, constatamos que a produtividade geral não foi um problema. Equipes organizadas na forma de squads trabalhando com metodologias ágeis ganhavam produtividade ao longo do tempo. O conceito de backlog também se mostrou eficaz. Quando a capacidade produtiva é corretamente dimensionada, a espera se torna aceitável e a priorização vira um hábito.

Por outro lado, ocorreu um distanciamento gradual entre as equipes de projeto e as áreas clientes. Era comum os sponsors se distanciarem, e os POs (Product Owners), responsáveis pelo direcionamento e priorização, não terem o conhecimento do negócio e/ou a autonomia necessários. E com a redução gradual dos orçamentos, tornava-se mais difícil justificar a presença de perfis como analistas de negócios, especialistas em customer experience e analistas de qualidade, dificultando o correto refinamento das histórias ou uma atenção maior à usabilidade. Até mesmo os necessários investimentos estruturantes eram preteridos em relação aos novos casos de uso gerando dívidas técnicas.

Este afastamento crescente dos projetos em relação aos resultados de negócio esperados foi um dos principais fatores que provocaram a quebra de confiança das empresas na hora de fazer os novos investimentos. Um estudo recente da Forrester ("Predictions 2026: Business Buyers") aponta exatamente esse movimento: em um cenário de incertezas econômicas, os compradores passarão a exigir mais transparência, resultados mensuráveis e evidências concretas sobre o impacto da tecnologia, incluindo a própria IA.

O primeiro efeito da perda de confiança, mais percebido a partir de 2023, foi o foco nos Business Cases. Eles sempre fizeram parte das discussões, mas passaram a ter papel decisivo na análise e aprovação dos novos investimentos em TI. Considero isso um avanço importante, pois um bom Business Cases deixa claro os objetivos do investimento (por exemplo, eficiência operacional em um conceito de zero touch ou 90% de autoatendimento), os milestones mais relevantes (como a substituição de um sistema antes do fim do contrato ou o suporte a um novo produto/serviço em determinada data), e as KPIs de negócio e operacionais ao longo do tempo. Com isso, o roadmap do projeto pode ser estabelecido, o desdobramento ocorre por meio de OKRs e há mecanismos claros para  acompanhar a evolução e sucesso do projeto.

O segundo efeito, mais percebido a partir de 2024/2025, foi o encurtamento dos projetos. Os investimentos começaram a ser discutidos em um nível de granularidade mais fina, com aprovação de orçamentos para iniciativas menores, na expectativa de reduzir os riscos.

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Essa abordagem é funcional para empresas avançadas na sua transformação digital e modernização da arquitetura de TI, onde o foco são iniciativas pontuais, como a integração com um novo parceiro de negócios, a disponibilização de um novo serviço ou canal de atendimento, ou automação pontual de uma etapa do processo. Nesse contexto, as iniciativas geralmente não exigem revisão de arquitetura e nem reestruturação significativa dos processos operacionais, e utilizar uma abordagem auto-contida permite uma governança mais leve sem prejuízos. Ainda assim, a ancoragem do projeto nos objetivos definidos no BC é essencial, e o cuidado de utilizar modelo escopo fechado quando o escopo está realmente bem definido e estável.

Quando a falta de confiança impacta necessidades transformacionais

O maior problema surge nos contextos em que ainda é necessária uma abordagem transformacional, onde o executivo sênior entende que precisa transformar as operações, adotar uma abordagem customer-centric e com processos fim a fim, enfrentar uma nova mudança no modelo de negócios ou ainda quando o "dever de casa" em arquitetura e modernização de TI está atrasado.

Tentar resolver este tipo de situação com uma abordagem fragmentada, tipo quick-wins, tende a prolongar o prazo, pois cada iniciativa é precedida de um tempo de análise, aprovação e mobilização, além de gerar inevitavelmente elevado percentual de retrabalho.

E ainda pior, dificilmente gerará o efeito transformacional almejado.

Essas reflexões e aprendizados indicam que o caminho para recuperar a confiança e, sobretudo, entregar resultados que atendam ou até superem as expectativas, passa pela reconexão com os objetivos de negócio, que pode ser atingida com alguns passos essenciais:

  • Definição clara dos objetivos de negócio e dos milestones;

  • Desdobramento das KPIs (OKRs);

  • Planejamento realista e consistente do projeto ou programa, seja uma iniciativa pontual ou um movimento transformacional;

  • Criação de um roadmap claro, com entregas frequentes associadas aos resultados de negócio esperados;

  • Medições das entregas (por exemplo qualidade do software), da adoção e usabilidade, e dos KPIs operacionais e de negócio;

  • Modelo de gestão e governança disciplinados.

No fim, quanto mais a equipe do projeto, seja própria ou contratada, estiver alinhada com os objetivos de negócio e participar do planejamento definindo os meios necessários para atingir prazos que em geral são agressivos, maior será seu comprometimento e autonomia, sem desvio de foco.

E claro, é necessário garantir a produtividade e qualidade das entregas. Lembrando dos ganhos de produtividade com as equipes perenes e redução de trocas de contexto, os gestores de TI ainda precisarão se organizar para atender iniciativas pontuais e projetos transformacionais. Uma boa gestão do backlog (pipeline de projetos), e criação de modelos com equipe básica e contingente adicional são a base. E como é mais fácil otimizar o que já está organizado, um processo maduro e institucionalizado que, como tudo atualmente, contemple o uso de IA nas diversas atividades terá grande impacto na produtividade.

Este tipo de cenário de contingências ajuda no amadurecimento do mercado, e quem entregar resultados de fato para o negócio de forma consistente irá cada vez mais ter a sua confiança de volta.

Laerte Sabino
CEO na Icaro Tech

Matéria Publicada:
Portal TI Inside
03.12.2025

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